Outro dia em uma oficina de expressão artística para crianças de 5 a 12 anos, duas meninas que já haviam participado da oficina esperavam no jardim. Pequenas pedras para drenar a água da chuva estavam no chão e faziam parte da decoração. Entre elas, algumas pedras pintadas de dourado. Perguntei para as meninas se eram pedras preciosas. Uma delas, a maior, desconfiou. A menor, logo disse que eram preciosas sim, eram pedaços de ouro. Novamente perguntei: - se elas são de ouro, o que fariam com pedras tão preciosas? A maior disse: - vendo tudo e vou gastar todo o dinheiro no Shopping. A menor: - uma pedra assim tão preciosa não pode ser vendida. Fico com elas e quando estiver triste, aperto ela assim bem próxima do coração e fico alegre de novo. As duas saíram rindo e eu fiquei ali pensando sobre o momento. Minutos depois, haviam transformado as pedras douradas em uma brincadeira de achar e esconder. Convocaram as outras crianças da oficina pra brincar e a brincadeira era assim: as meninas escondiam as pedras em lugares estratégicos. Os outros participantes deveriam encontrá-las no jardim. Quem conseguisse encontrar as pedras douradas, tinha o direito de escondê-las para que as outras crianças as encontrassem novamente. E assim, as crianças passaram um bom tempo da sua tarde, brincando com uma brincadeira que elas inventaram.
Lindalva Souza é arte-educadora, pesquisadora de brinquedos e brincadeiras da cultura popular e membro da Aliança pela Infância .