Justificativa
As brincadeiras da infância estão desvalorizadas e não há participação popular nas decisões para o uso dos espaços públicos. Nossas crianças carecem de espaço para uma convivência saudável que garanta e promova os direitos coletivos. Assim podemos
colaborar para prevenir riscos de abandono, entrada para o mundo do crime, baixa
auto-estima, gerando alternativas criativas que transformem esta realidade.
Considerando que as brincadeiras e brinquedos são linguagens que têm a capacidade de conjugar-combinar-articular-desafiar, propomos uma maneira poética das pessoas se relacionarem com o espaço: brincadeiras e construção de brinquedos de todos os tempos.
O ato de brincar constitui oportunidade de expressão e desenvolvimento; é espelho da cultura das diferentes sociedades; é forma de linguagem e tem suas origens na criação coletiva.
Apesar de priorizar crianças, o brincar em espaço público possibilita a criação dos grupos informais, permitindo que as crianças reelaborem a herança cultural de maneira significativa e democrática; propicia interação entre gerações: as relações entre crianças, adolescentes e adultos “estreitam o laço de humanidade que os identifica”(1). Brincar junto significa compartilhar sonhos e histórias de vida cotidiana, construindo maneiras criativas de se relacionar com a coletividade.
Devido à precariedade de muitos dos espaços coletivos (tais como praças, ruas de lazer ou parques) na extrema periferia de SP, propomos intervenções que possam conviver com as diferenças, com a diversidade cultural, espaço de troca , assimilação, diferenciação e integração. Ações que levem à valorização e à construção da identidade pessoal e cultural na reutilização desses espaços.
Pretendemos que eles sejam discutidos, avaliados e ressignificados por seus
próprios usuários, influenciando políticas públicas voltadas ao lazer e à cultura.
O bairro Itaim Paulista, localizado na zona Leste, é o foco deste projeto. Segundo os indicadores abaixo, esse bairro apresenta os piores índices do município de São Paulo:
- Perfil Ambiental(2): 94o
- Perfil Econômico(2): 92o
- Perfil Sócioambiental(2): 95o
- IDHM de 0,434(3): 85o
São índices alarmantes que confirmam a precariedade de políticas públicas que contribuam para a melhoria das condições de vida de seus moradores, principalmente das crianças.
O Brasil é signatário da Convenção dos Direitos da Criança da ONU que diz: “Toda criança tem o direito a participar de atividades de jogos e recreação apropriados a sua idade e a participar livremente da vida cultural e das artes”
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê, no Capitulo II (Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade), artigo 16, que toda criança ou adolescente tem o direito de “ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários” e “brincar, praticar esportes e divertir-se”.
Diante dessa situação, sugerimos o espaço público como local de intervenção com o intuito de promover o acolhimento e a interação entre pessoas de diferentes extratos sociais. Portanto, pretendemos valorizar os espaços que possibilitem: uma maior aproximação entre membros de uma mesma comunidade; o desenvolvimento das individualidades; o reconhecimento do grupo; as manifestações sociais e culturais; a preservação da memória daqueles que ali convivem; liberdade e autonomia. Enfim, buscamos incentivar a capacidade de fazer escolhas que melhor satisfaçam desejos pessoais dentro de uma coletividade e a convivência saudável, ampliando as possibilidades de ação, pois assim o grupo torna-se cooperativo e se apropria cada vez mais do espaço pelo exercício da cidadania.
Objetivos / Metas
a) Objetivo geral
Estimular e valorizar as brincadeiras como linguagem expressiva e como forma de aprendizagem, possibilitando a construção de identidade autônoma, cooperativa e criativa e a sensibilização sobre preservação e conservação dos espaços públicos.
b) Objetivos
específicos
- Resgatar a cultura do brincar;
- Dinamizar o uso e a preservação das áreas verdes pela população local;
- Ocupar, reutilizar, adaptar Espaços Públicos;
- Promover encontro de gerações;
- Interação criança/criança; criança/espaço; criança/educador; criança/família; criança/comunidade;
- Formar e dar suporte técnico a multiplicadores sociais locais, para a continuidade, autonomia e sustentabilidade do projeto;
- Identificar o brincar como forma de desenvolvimento físico, social, psicomotor, afetivo e cognitivo da criança.
Beneficiários
As intervenções propostas no Parque Chácara das Flores pressupõe entre seus beneficiários, uma integração mais adequada nas relações entre cada membro da comunidade.
a) Diretos
crianças – a partir de 5 anos de idade – é o foco central do projeto;
jovens - seu envolvimento no desenvolvimento das ações do projeto visa resgatar valores de compartilhamento social;
b) Indiretos
comunidade – chamar a atenção de instituições e responsáveis locais, pais, mães sobre sua responsabilidade com o espaço que ocupam;
poder público – chamar atenção sobre sua responsabilidade e sobre a necessidade de manutenção adequadas desses espaços públicos, reconhecidos como local de preservação e intervenção social fundamental.
Abrangência
Local de aplicação
O Parque Chácara das Flores(2), foi criado em 21/9/2002 em uma área de 40.000m2 no extremo leste da cidade de São Paulo. Situado na Estrada Dom João Nery, 3551, Itaim Paulista, tem funcionamento diário, das 6h às 18h.
Execução
1ª Fase: Diagnóstico de necessidades do projeto
2a Fase: Planejamento
3a Fase: Desenvolvimento
Recursos financeiros e materiais - R$ 175.641,07
Apresentação da equipe do projeto
Lindalva Aparecida de Souza
Concepção, desenvolvimento e coordenação geral
Arte-educadora, pesquisadora de brinquedos e brincadeiras da cultura popular e membro da Aliança Pela Infância no Brasil. Trabalha com cursos e oficinas para educadores. Desenvolveu, no Sesc Belenzinho, projetos sócio-educativos. Coordenou também oficinas e a programação de teatro para crianças.
Possui grande experiência, em instituições públicas e particulares, no desenvolvimento de atividades artísticas, culturais e de lazer para crianças, adolescentes e adultos.
Ana Maria Martins de Souza
Desenvolvimento e supervisão
Formada em Letras e Pedagogia, pós-graduada em Administração de Recursos Humanos. Coordena programas voltados para o desenvolvimento de professores. É especialista na mediação de processos de aprendizagem relacionados à Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, desenvolvida pelo psicólogo e educador
Prof. Reuven Feuerstein e Conselheira do Conselho Municipal de Educação da cidade de São Paulo.
Renata Meirelles
Professora do curso Formação de Multiplicadores Sociais
Modulo I “A Importância do Brincar na Cultura Popular Brasileira”
Mestranda da Faculdade de Educação da USP, com projeto sobre o lúdico infantil na Amazônia. Desde 1995 pesquisa brincadeiras em diferentes regiões brasileiras, divulgando-as através de palestras, cursos, oficinas e workshops em diferentes Estados brasileiros e instituições internacionais. Idealizadora do Projeto BIRA – Brincadeiras Infantis da Região Amazônica ( www.projetobira.com ), onde esteve durante 08 meses conhecendo brinquedos e brincadeiras de comunidades ribeirinhas e indígenas dos Estados do Amapá, Pará, Amazonas, Roraima e Acre. Dirigiu com David Reeks, o curta metragem - “BAMBEIA” - sobre brinquedos na Amazônia, que ganhou 04 prêmios em festivais nacionais de cinema e vídeo no ano de 2004. Coordena projetos de educação para jovens, professores e crianças em diferentes instituições na cidade de São Paulo.
Elisabete Arouca
Professora do curso Formação de Multiplicadores Sociais
Modulo II “Cidadania”
Psicóloga clinica e social. Experiência com desenvolvimento de lideranças do movimento de saúde e adolescentes em formação para primeiro emprego. Atuante em movimento social - Luta Antimanicomial.
Adriano Garbelini
Concepção e professor do curso Formação de Multiplicadores Sociais
Modulo III “A Importância da Preservação e Conservação dos Espaços Públicos”
Coordena grupos de visitação à Unidades de Conservação Ambiental.
Pesquisa e realiza oficinas da brincadeira tradicional “cama-de-gato” para jovens e é membro-voluntário da Aliança Pela Infância no Brasil.
Programa de Formação de Multiplicadores Sociais
O programa foi concebido como oportunidade de aprendizagem teórica e prática para jovens a partir de 18 anos, moradores do Itaim Paulista. Vimos com esse programa a oportunidade de criar alternativas de desenvolvimento pessoal desses jovens, com possibilidade de geração de trabalho e renda. Neste sentido os jovens que passarem por este programa poderão continuar a proposta do projeto “Brincadeiras em Espaços Públicos”, em 2007, como forma de minimizar os índices de exclusão que são evidentes na periferia de nossa cidade.
(1) Francisco Marques, o Chico dos Bonecos é poeta, contista, professor e desenrolador de brincadeiras
(2) Indicador socioambiental realizado em 2002, que classifica os Distritos Municipais de São Paulo de 1 a 96, sendo 1 o melhor e 96 o pior índice. O site consta no anexo 4 “Sítios e Links Pesquisados”.
(3) IDHM - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – realizado em 2000, que classifica os Distritos Municipais de São Paulo de 1 a 93, sendo 1 o melhor e 93 o pior índice. O site consta no anexo 4 “Sítios e Links Pesquisados”.
(4) O site do mapa e imagem-satélite consta no anexo 4 “Sítios e Links Pesquisados”.