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ORIENTAÇÃO PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS SOCIAIS

Mónica Beatriz Galiano

1 - O que é um Projeto?

Um projeto é um conjunto único e estruturado de atividades, com início e fim bem determinados, formalmente organizado, que congrega e aplica recursos, visando resultados/objetivos preestabelecidos.

2 - Por quê planejar?

Planejar a ação é uma excelente oportunidade para articular de maneira consistente e objetiva o compromisso e o discurso da equipe, melhorando a comunicação e tornando mais homogêneo o conhecimento. Além disso, planejar

•  melhora o poder de argumentação para obtenção de suporte/apoio;
•  favorece a compreensão e o gerenciamento das expectativas;
•  ajuda a garantir que os compromissos sejam cumpridos no prazo e dentro do orçamento e a estabelecer critérios de revisão e controle;
•  estimula a criatividade para descobrir "a melhor maneira de fazer";
•  otimiza a utilização dos recursos disponíveis.

3 - Como planejar?

•  Definir o problema.
•  Estabelecer objetivos: diretamente relacionados com a definição do problema especificando os resultados previstos mensuráveis e que sejam fundamentais para atingir o propósito.
•  Identificar os recursos (materiais e humanos) disponíveis ou que devam ser mobilizados (contratados).
•  Definir estratégias de ação, atividades específicas para conseguir os resultados desejados.
•  Definir mecanismo para medir regularmente o progresso do projeto (monitorando seu desenvolvimento) e um plano formal para avaliação final.

O modelo lógico e a hipótese de mudança:

Todo programa social está baseado numa hipótese da mudança, o fundamento teórico sobre como e por quê o programa vai funcionar e dar resultado. Ela conecta o que está acontecendo no projeto (as atividades) com o objetivo geral do mesmo. Um "modelo lógico" é uma fotografia da estrutura do projeto - uma representação gráfica simplificada da hipótese de mudança. Ele mostra as relações entre o que se coloca no projeto ( inputs ou insumos ou recursos), o que o projeto faz (atividades e produtos), e que resultados em termos de impacto ele produz. "SE... esta atividade acontecer, e SE produzir os produtos ou resultados esperados, teremos atingido este objetivo", etc.

O que é um Objetivo

É uma declaração específica do propósito de atingir um determinado fim. Não deve ser confundido com resultados nem metas a atingir. Deve sempre expressar uma intenção de mudança.

•  Objetivos quantitativos: traduzem-se em dados numéricos.
•  Objetivos binários: podem ocorrer ou não - são medições lógicas.
•  Objetivos qualitativos: são julgados subjetivamente para determinar se foram ou não alcançados.

Uma vez prontos os objetivos, continuar com a definição de resultados, o desenho das estratégias e a subdivisão das tarefas, orientada pelas seguintes questões: que Produtos ou Resultados devemos produzir para alcançar os objetivos propostos em todos os níveis? Que estratégias gerais devem ser usadas para atingir com maior eficácia estes Produtos ou Resultados? Listar as atividades específicas de cada estratégia determinada. Este detalhamento de necessidades servirá de base para cotação de preços e para a futura montagem do orçamento, bem como do cronograma e dos responsáveis por cada etapa ou ação.

O Plano de Avaliação

A avaliação será orientada para identificar a mudança que ocorreu como resultado da execução de um projeto, ou seja, a extensão do alcance dos objetivos. É imperativo conhecer as condições que existiam antes do projeto, ter dados completos sobre a situação inicial para poder comparar com os resultados alcançados após seu término. Para entender a diferença que o projeto está fazendo, temos que determinar:

•  Que perguntas precisam ser feitas?
•  A quem perguntar?
•  Quais os métodos para obter informação?

A seguir, retomam-se os Resultados Esperados e começam a se elaborar indicadores para cada um deles. Indicadores não são condições necessárias para atingir resultados. Pelo contrário, eles apenas demonstram se estes resultados foram alcançados. São úteis para a etapa de planejamento do projeto porque evitam erros conceituais e clarificam os objetivos, acrescentam profundidade e dimensão à formulação do propósito ou objetivo geral. São indispensáveis para a avaliação, porque sem eles não se pode comparar o que foi programado com o que foi obtido.

Cinco características de um bom indicador:

•  Deve medir o que é importante (e não aspectos secundários).
•  Deve ser evidenciável .
•  Deve ser especificado , quanto à quantidade, qualidade e tempo (QQT).
•  Deve ser independente . Os indicadores de um nível determinado, não podem ser usados para demonstrar conquistas de um nível superior.
•  Deve incluir alvos precisos: "Quanto?", "O que/ quem em particular?", "Quando? Até que data?"

4 - Uma proposta convincente

A proposta não existe sozinha. Ela é parte de um processo de planejamento e de pesquisa, contatos e relações com doadores em potencial. No Terceiro Setor, as Ongs têm as idéias e a capacidade para resolver problemas, mas não têm o dinheiro. As fundações e as empresas possuem os recursos financeiros, mas faltam os demais recursos necessários para desenvolver programas e executar os projetos. O ideal é sempre uma parceria, e não uma relação de favor ou dependência.

Muitas vezes a proposta é a única oportunidade de se comunicar com os doadores. O documento escrito é o que resta após todas as reuniões e telefonemas. Ele deve refletir a imagem geral da organização, deve ser auto-explicativo, informativo, e motivador. Deve se dar a mesma atenção à redação da proposta, quanto se deu ao planejamento do projeto e ao plano de implementação. As idéias fundamentais devem surgir rápida e claramente no texto, identificar o ponto central, e fazer surgir os demais argumentos encadeados. Fazer um resumo do que virá a seguir (" outline ") para posicionar o leitor. Não usar jargão ou estilo coloquial. Ser realista, tentar não exagerar emotivamente nas necessidades.

Sumário executivo: 1 página.

O sumário é o primeiro documento (e às vezes o único) que a fonte financiadora irá ler. Assim, ele deve ser claro, conciso, e específico . Algumas fontes examinam o sumário como um primeiro passo da avaliação da proposta para analisar a sua consistência e relacionar o projeto com suas prioridades programáticas. É melhor dedicar certo tempo a desenhar o sumário para facilitar o entendimento da fonte financiadora, adiantando o trabalho de apreciação da proposta. O sumário deve conter descrições claras do problema, da solução proposta, da solicitação de fundos, do histórico da organização e sua capacidade.

Detalhando o problema ou por quê este projeto é necessário: 2 páginas.

Descrever em detalhe as necessidades, o problema que a comunidade enfrenta possibilitará que o doador se interesse em profundidade. Devem ser apresentados os fatos e as evidências que sustentam a necessidade do projeto, estabelecendo com clareza que a organização entende os problemas e que se sente habilitada para resolvê-los. Esta seção deve ser sucinta, porém persuasiva.

Descrição do projeto ou como tudo será realizado: 3 páginas.

Descrever os detalhes do projeto, considerando 4 subdivisões: objetivos, métodos, staff/administração e avaliação.

Os objetivos definem os métodos a ser utilizados. Devem ser tangíveis, específicos, concretos, mensuráveis, e possíveis de realizar num tempo determinado. Os objetivos devem oferecer alguns alívios ou soluções ao problema.

Métodos são estratégias adotadas para atingir os objetivos. (Como, quando e por que?) Esta seção deve convencer o doador de que a organização sabe o que deseja, o que pretende fazer, e como fazê-lo da melhor maneira.

•  Como: descrição detalhada do que acontecerá desde a data de início até o fim do projeto.
•  Quando: cronograma de atividades.
•  Por que: defender quaisquer métodos, especialmente se são novos, ou não ortodoxos.

Na seção Staff/Administração apresentar o número de pessoas envolvidas, sua qualificação específica, e tarefas determinadas (se necessário e relevante, incluir Curriculum de alguns profissionais como anexo). Considerar como Staff tanto os funcionários remunerados, como os Consultores contratados especificamente, e os voluntários. Descrever as tarefas dos voluntários é desejável; dá uma dimensão do trabalho envolvido, e do seu custo/benefício.

Avaliação : incluir um plano de avaliação já elaborado na fase de planejamento e apresentá-lo junto com a proposta, indica que a instituição leva muito a sério este projeto, e deseja saber com certeza que resultados conseguiu alcançar. A avaliação é também um poderoso instrumento de gerenciamento. Nem todos os doadores exigem um nível muito sofisticado de avaliação; esta deve estar relacionada à importância do impacto esperado na comunidade atingida e à complexidade do projeto.

Objetivos mensuráveis abrem caminho para uma efetiva avaliação. (Se houver dificuldade em determinar que critérios usar na avaliação do projeto, é melhor voltar e rever os objetivos. Provavelmente eles não são muito específicos).

Orçamento ou descrição financeira: 1 página.

O orçamento deve ser planejado considerando todos os recursos humanos, materiais e financeiros necessários para cada uma das atividades do projeto. Deve se preparar uma planilha muito detalhada para conhecer os subtotais por item, e apresentar um resumo com estes subtotais, anexando notas de rodapé que mencionem os custos unitários.

Sugestão de planejamento de orçamento:

•  Instalações e serviços: incluir despesas com aluguel, segurança, contas de luz, água, aluguel ou compra de linha telefônica, com estimativa mensal de tarifa utilizada, xerox, etc.

•  Recursos humanos: separar os funcionários já atuantes na organização, daqueles que serão especificamente contratados para o projeto. Separar os funcionários registrados (mencionar salário bruto, mais encargos e benefícios), dos prestadores de serviços eventuais.

•  Consultores: Listar os profissionais a contratar, seus honorários e a previsão de tempo e serviços a utilizar.

•  Material de consumo, ou material de escritório: despesas com insumos normais e correntes de escritório, incluindo itens de limpeza e manutenção das instalações.

•  Viagens: Justificar e apresentar detalhe de custos: passagens, estadias, pessoas e dias utilizados.

•  Capacitação e treinamento: Detalhar se os profissionais participarão de cursos ou treinamentos; especificar quais, quando, quanto tempo, aonde, e custos. Justificar a necessidade.

•  Atividades específicas do projeto que gerem custos especiais.

•  Materiais específicos do projeto: (medicamentos, sementes, livros, etc...).

•  Publicações e comunicação: Detalhar custos de criação, produção gráfica, correio, etc., de cada material a ser publicado/distribuído. Incluir tiragem, tamanho do mailing list, canais de distribuição. Incluir custos de veiculação de campanhas ou de matérias pagas.

•  Veículos: detalhar custos (justificar a compra ou aluguel), manutenção e combustível.

Informação sobre a organização: histórico, estrutura organizacional, atividades principais, audiências, serviços: 1 página.

Nesta seção da proposta a organização vai se apresentar. Muitas propostas falam muito pouco ou quase nada sobre a organização solicitante e focalizam sua descrição apenas sobre o projeto. O histórico é a seção na qual deve se construir a credibilidade como uma organização que merece ser apoiada.

Algumas idéias que podem ser exploradas sobre a organização:

•  Como começou?

•  Há quanto tempo vem atuando?

•  Alguma coisa única sobre a maneira de como começou, ou o fato de terem sido os primeiros a estabelecer a organização no país.

•  Algumas de suas mais significativas realizações como organização, ou, se for muito nova, algum aspecto significativo na direção ou no staff em papéis anteriores (outras instituições, outros projetos relevantes, etc.).

•  Missão: Por que foi iniciada a organização?

•  Que apoio tem recebido de outras organizações, indivíduos, etc.?

Conclusão

Esta é a última seção da proposta, mas não significa a menos importante.

Um ou dois parágrafos que chamem a atenção para o futuro, após o término do projeto apresentado. Podem se mencionar algumas atividades que serão desenvolvidas depois, de forma auto-suficiente, ou com novos recursos.

Os "11 Mandamentos" de uma proposta:

PERGUNTAS BÁSICAS

PERGUNTAS COMPLEMENTARES

 

1. Quem propõe?

Que caraterísticas?
Que experiência?

IDENTIFICAÇÃO

2. Qual é o problema?

Por que é importante?

PROBLEMA

3. Que se pretende conseguir?

Qual é o fim último?
O que é necessário alcançar
para lograr o fim último?

OBJETIVOS:
GERAL E ESPECÍFICOS

4. Quem se beneficia?

 

POPULAÇÃO ALVO

5. Como? Que ações?

O que é inovador?

MÉTODO (ESTRATÉGIAS)

6. Como do Como?
(Como realizar as ações?)

 

ATIVIDADES

7. Quando?

 

PROGRAMAÇÃO

8. Que se necessita?

Com quem?
Quantos e de que tipo?
Com que? Onde?
Quanto preciso?
Quanto tenho?
Quanto me falta?

RECURSOS HUMANOS, FÍSICOS E FINANCEIROS

9. De que maneira organizo os recursos?

Quem vai ser responsável por quê?
Quem terá autoridade para quê?

ORGANIZAÇÃO

10. De que maneira saberei que alcancei os resultados?

Que perguntas deverão ser respondidas?
Que evidências vou buscar? Qualidade, quantidade?
Como vou buscá-las?
Com que periodicidade?
Quem vai avaliar?
Onde vou buscá-lo?
Que farei se as coisas não andam bem?
Que farei se elas vão bem?

AVALIAÇÃO

11. Como as ações vão ser continuadas no futuro?

 

CONTINUIDADE