15.02.2010
Presença masculina ajuda na diversidade
por: Estadão
Especialistas apontam que crianças necessitam de referencial paterno.
O aumento de profissionais do sexo masculino na educação infantil é visto de forma positiva e natural pelos especialistas na área. Segundo eles, o crescimento se deve principalmente à nova dinâmica de relações da sociedade atual e à superação de preconceitos.
"A ideia de que não é natural homem trocar fralda foi socialmente construída, baseada em uma grande discriminação", diz a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Cláudia Vianna. "É como se o homem, necessariamente, não fosse capaz de cuidar de um bebê, podendo derrubá-lo no chão a qualquer momento."
O preconceito contra os professores nas creches, de acordo com educadores, decorre de diversas questões. "Está relacionado, principalmente, à discriminação dos homossexuais e ao medo que os pais têm da pedofilia", ressalta Cláudia. No entanto, a situação, dizem os educadores, começou a mudar nos últimos 15 anos.
NOVO OLHAR
Apesar da resistência de alguns pais e até mesmo de instituições de ensino infantil, os homens estão conseguindo se firmar como educadores, trazendo para as crianças uma diversidade no ambiente escolar e novos olhares sobre os conteúdos dados. "Precisamos dos dois referenciais, masculino e feminino, para educarmos nossas crianças", opina Cisele Ortiz, educadora e coordenadora do Instituto Avisa Lá, organização não governamental que trata de temas educacionais.
Segundo Cisele, o papel de educar pode ser exercido por profissionais de ambos os sexos, independentemente da idade dos alunos, já que a presença dos homens traz mais diversidade à escola. A especialista chama atenção ainda para a importância da imagem do homem na vida dos alunos.
"Essa referência de paternidade é necessária de uma forma geral nas creches", explica. "Ainda mais porque existem crianças que não têm isso em casa e a escola precisa oferecer a elas a figura masculina e a função paterna."
VALORIZAÇÃO
A questão financeira também é um dos fatores que vêm atraindo mais homens para o setor. "O educador, homem ou mulher, nos últimos anos, estava muito desvalorizado", afirma a professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Neide Noff.
"Mas, na última década, temos percebido que a educação vai de novo se tornar uma opção de primeiro emprego, com salários melhores e mais prestígio", explica. Segundo Neide, a profissão tende a se firmar ainda mais em períodos de crise econômica.
PERFIL
3.077é o total de homens trabalhando na educação infantil
1.297são os homens que trabalham nos CEIs
1.780 são funcionários homens nas EMEIs
33.125 são as mulheres que trabalham na rede municipal
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