A criança pequena é impulsionada
totalmente pela vontade. Ela
nunca pára, está o
tempo todo brincando, agindo,
transformando. O ato de brincar
fortalece a vontade, e são
as brincadeiras saudáveis
que nos capacitam, quando adultos,
para uma atuação
positiva no mundo.
De caráter universal, muitas brincadeiras são provenientes de
antigas celebrações de rituais e eram, até o século
XVIII, de um modo geral, praticadas entre adultos e crianças, coletivamente.
Com o início do processo de industrialização e com o desenvolvimento
tecnológico, muitas brincadeiras passaram por um processo de transformação
e adaptação, adquirindo caráter infantil e adulto distintos.
Apesar desse processo, as brincadeiras continuam sendo transmitidas oralmente
entre as gerações, e constituem um patrimônio de valor
inestimável na cultura popular de cada povo. As brincadeiras de rua,
por exemplo, enquanto fenômeno sócio-cultural, são muito
importantes no desenvolvimento da criança, pois possuem suas regras
próprias que ensinam a criança a se relacionar com o outro, impõem
limites, desenvolvem competências cognitivas, motoras e afetivas que
permanecem presentes no decorrer da vida.
A experiência e a pesquisa indicam que o brincar criativo é que
dá às crianças uma base sadia para o aprendizado posterior. É brincando
que a criança descobre o mundo e vivencia suas leis. O brincar é,
por assim dizer, a sua linguagem. Através do brincar, as crianças
expressam seu ser integral pondo corpo, mente, sentimentos e espírito
em evidência.
Entretanto, a tendência da maioria dos jardins de infância,
hoje
em dia, se concentra na aprendizagem precoce, através da escrita, da leitura,
da aritmética, do pensar lógico, esquecendo que, além
da mente, as crianças possuem também sentimentos e membros, que
elas pensam, sentem e agem, e que é principalmente antes dos sete anos
que a vontade de agir deve ser fortalecida. As pesquisas atuais não
comprovam os benefícios a longo prazo desse enfoque educacional atual,
que tem levado muitas crianças ao estresse.
É necessário rever a educação na primeira infância,
para se chegar a uma constituição sadia e a uma vida futura de
pensamentos e atividades criativas, estimulando e valorizando as brincadeiras
como linguagem expressiva das crianças.